Ferramentas, sinais de alerta e boas práticas para selecionar clientes e evitar riscos contratuais.
No dia 01 de outubro de 2025, a ANCEV realizou ao vivo, a partir das 14h30, a 8ª edição do Bate-Papo Jurídico, com duração de 1h30 e a participação de dezenas de gestores de coworkings.
Conduzido pelo advogado Dr. Léo Fischer, fundador do Law Works o encontro abordou como a análise prévia de clientes pode reduzir em até 90% os casos de inadimplência. Durante a discussão, foram apresentadas ferramentas práticas, exemplos reais e sinais de alerta que ajudam gestores a tomar decisões mais seguras.
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O problema da inadimplência
Segundo Fischer, muitos coworkings enfrentam taxas de inadimplência acima de 30%, gerando prejuízos e insegurança jurídica.
“A análise prévia funciona como um diagnóstico médico: investe-se alguns minutos antes do contrato para evitar dores de cabeça depois”, destacou o advogado.
A metodologia de análise
A metodologia apresentada busca equilibrar rapidez e eficiência, levando de 1 a 3 minutos por cliente:
- Verificar capacidade financeira (dívidas em condomínio, escola, protestos etc.).
- Identificar riscos criminais (uso do endereço para ilícitos, que pode resultar em buscas e apreensões).
- Usar plataformas digitais como o Impacto do Brasil (paga, com opção por consulta avulsa para associados ANCEV) ou o site gratuito Consulta Protestos.
- Pesquisar em Tribunais de Justiça estaduais para verificar ações judiciais em nome do cliente.
Casos práticos
Durante a demonstração, Fischer mostrou exemplos reais:
- Cliente rejeitado com 12 negativações somando R$ 36 mil.
- Outro, com R$ 408 mil em dívidas e várias ações judiciais.
- Um cliente aceito apesar de dois protestos de baixo valor (R$ 450), mostrando a importância da subjetividade na análise.
LGPD e comunicação com clientes rejeitados
Um dos pontos mais debatidos foi a forma de comunicar uma recusa:
“O ideal é não justificar. Apenas informe que o cadastro não foi aprovado. Protestos são públicos, mas justificar pode gerar riscos e contestações”, alertou Fischer.
A OKA Coworking reforçou a importância de respeitar a LGPD e não dar detalhes que possam expor o coworking a ameaças.
Alternativas para propostas rejeitadas
O advogado sugeriu abordagens estratégicas:
- Quando um cliente não pode ser aceito no modelo mensal, oferecer a opção de pagamento anual antecipado como exceção aprovada pela diretoria.
- Para clientes insistentes, manter a resposta padrão de que o jurídico não fornece motivos de rejeição.
Garantias adicionais: fiadores e sócios como garantidores
- Otávio destacou a prática de exigir fiadores. Fischer concordou, mas lembrou que é essencial analisar também o fiador.
- Recomendou incluir o sócio da empresa como garantidor pessoa física, pois a negativação do CPF gera maior pressão que a do CNPJ.
Documentos e segurança digital
- Solicitar apenas dados essenciais: razão social, CNPJ, e-mail, endereço, telefone e contrato social.
- Reforçar a segurança com selfie do cliente junto ao documento e assinatura eletrônica qualificada (via GOV.BR ou certificado digital).
- Salete Aguiar lembrou que falsificação de documentos é recorrente; medidas digitais ajudam a minimizar riscos.
Sinais de alerta
Fischer listou alguns sinais que devem despertar atenção:
⚠️ Clientes com muita pressa para fechar contrato.
⚠️ Recusa em fornecer documentos ou selfie.
⚠️ Histórico de ações condominiais (indicador forte de inadimplência).
“Estelionatários querem fechar rápido antes que se descubra o golpe”, alertou Fischer.
Boas práticas recomendadas
✅ Realizar análise prévia em todos os clientes e fiadores.
✅ Usar pelo menos uma ferramenta paga + uma gratuita para cruzar dados.
✅ Solicitar documentos mínimos, claros e bem justificados (LGPD).
✅ Oferecer pagamento antecipado como alternativa em casos de risco moderado.
✅ Incluir o sócio como garantidor para aumentar a eficácia da cobrança.
✅ Adotar assinatura digital qualificada para reduzir fraudes.
Conclusão
O encontro reforçou que a análise prévia não é apenas burocracia, mas um investimento estratégico que protege coworkings de prejuízos e mantém a credibilidade do setor.
“São poucos minutos e, às vezes, R$ 20 por consulta que economizam meses de dor de cabeça”, concluiu Fischer.
O próximo Bate-Papo Jurídico já está marcado para novembro, com novos casos práticos e convidados. E em março, todos se encontram no ANCEV Experience 2025, em São Paulo.
